Como ferroadas

Pessoas tomavam banho na sacada de um prédio de construção antiga, de pouca tinta, reboco e alguns tijolos pintados. Havia um monte delas, de todos os tipos.
Na fila interminável eu procurava meu lugar. Fui subindo as escada e em todos os andares as filas eram muito grandes. Eu não tinha tempo para esperar.
Foi numa procura desesperada que achei alguns chuveiros, no final do corredor dos chuveiros, no último andar, e para minha surpresa, eles estavam sem ninguém.
Estava exausta de tanto subir escadas e olhar rostos.
Uma imensa alegria então tomou conta de mim e não conseguia esconder o sorriso de TAMANHA FELICIDADE!
Fui me aproximando, e achando muito estranho não terem filas nos últimos chuveiros, e pensei, O que estão fazendo essas pessoas que não estão nestes chuveiros aqui? Ficam horas nas filas esperando um chuveiro lotado...Mas que burras!
Assim, logo me pus a correr pra lá para abrir o chuveiro e tomar o tão esperado banho...
Neste momento me dei conta que as pessoas não paravam de me olhar, e com um olhar de reprovação, ou medo talvez.
De qualquer forma fui esticando meu braço para alcançar o registro e abrir a torneira, foi então que outro pensamento me veio, Ah...este chuveiro deve ser o frio, por isso ninguém quer ficar aqui!
Quando toquei no registro para abrir a água, vieram elas, milhares delas, por todos os lados, abelhas gigantescas, me picando no braço, no ombro; se enroscando no meu cabelo, voando por todo meu redor...
O pânico tomou conta de mim, corria, sacudia o cabelo, gritava, Socorro, eu tenho alergia! Sai, filhas da puta! Suas abelhas malditas! Eu odeio abelhas!
As pessoas nem se mexiam, talvez estivessem em pânico também pelos meus gritos; ou fossem mesmo um bando de egoístas!

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