Reflexão periódica


No final deste ano me formo...
E com isso surgem várias reflexões, tanto sobre a minha escolha profissional, quanto sobre o direito em si.

Quem faz direito sabe, que quando se ingressa na faculdade a única coisa que acontece é se apaixonar por essa ciência.
E não digo isso pelo seu exercício, pela advocacia ou pelos advogados, juízes, promotores ou sei lá mais o que.
Digo pela literatura mesmo...

O direito foi criado, na minha concepção, com o intuito de dirimir os conflitos, de balancear as volições humanas.
Já ouviu sua vó dizer assim: “o seu direito termina quando começa o de outro”?
Então, é baseado nessa idéia que ele foi criado!

Em toda a história o homem foi doutrinado e regrado, tendo a consciência ( mesmo que por muitas vezes forçadamente ) do respeito ao outro, do seu lugar e obrigações como ativista na sociedade, é o instrumento da pacificação social.
Foi tendo a noção, desta forma, de que conviver em conjunto não é simples e que disso resulta uma arte... Porque quem disse que direito não é arte??

Pode-se ver muita arte em toda a herança do pensamento legal: no princípio, com o mito da Deusa Themis; na construção do pensamento da equidade, da igualdade, dos limites sociais impostos...

Eu sei e todos sabem que, na prática, as coisas não são tão simples e belas assim.
Que as injustiças são feitas aos montes, e que a pessoa do advogado é sempre vista com preconceito.

Mas já paramos pra pensar no aspecto social dessa função?
O operante do direito tem o compromisso de ajudar, de orientar, de defender todos, sem distinção...

Quando entrei na faculdade pensava que nunca defenderia um acusado de assassinato... Mas depois cresci, e percebi que todos tem o direito à defesa..e que todos somos humanos, podendo errar de uma forma ou de outra.

No estudo da criminologia, os fatos são bem chocantes... De cada 100 assassinatos a sangue frio, 95 são efetuados por pessoas que não poderiam saber ou impedir seu próprio ato. Daí que eu entendo que a psicologia também é uma ciência que deveria andar lado a lado com o direito.

Acho muito errado o preconceito, em qualquer grau... E a minha profissão é cheia dele...não tanto por nós, mas pelos outros.

Sei que muitos confundem direito com política, mas as duas coisas nem sempre estão ligadas.
Um advogado tem a missão social de colaborar com a sociedade e torná-la mais justa: se não o fazem é uma questão pessoal, de caráter, e não profissional. Assim como muitos médicos são impostores, assim como muitos engenheiros são negligentes!

2 comentários:

André Auke disse...

sem dúvida direito é um profissão linda, pena que ela tem que passar pelo ego-humano, hehehehe.

Algumas coisinhas da Jéssica disse...

Minha amiga!
Não é fácil, né?
Achei bonito no seu texto de lembrar ao leitor para olhar para a essência e não para a aparência. As coisas quando foram criadas, eram para ajudar. Com o tempo é que vai se distanciando do ideal que defendia e vira uma outra coisa. Mas esse é um ciclo natural, assim como o lembrar, resgatar o início também. O negócio é não olhar com preconceito. Isso é difícil! Mas dá pra lembrar.